10 de julho de 2019

América Latina aumentará sua cota de exportação de alimentos até 25% em 2028

Roma, 8 jul (EFE).- A América Latina e o Caribe aumentarão sua cota na venda de alimentos ao exterior do atual 23% para 25% em 2028, confirmando-se como a maior região exportadora, segundo as novas perspectivas da FAO e da OCDE.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) assinalaram em um relatório que a região fornece 14% da produção mundial de produtos agrícolas e pesqueiros, a qual crescerá em um menor ritmo na próxima década.

O especialista da FAO, Holger Matthey, afirmou em uma conferência em Roma que a América Latina será a principal região exportadora, na frente da América do Norte e da Europa, embora necessite de “investimentos estratégicos para garantir uma produção sustentável”.

O relatório destaca a importância de um comércio aberto em nível global para os países latino-americanos, que podem diversificar o destino das suas exportações e dirigir-se àqueles lugares com uma demanda mais dinâmica como África subsaariana, Índia e China.

O dinamismo do seu comércio agrícola se explica pela “ativa participação” dos países latino-americanos e caribenhos em mais de 70 acordos de livre-comércio e pelos esforços de integração sub-regional.

Em relação às tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos, o subdiretor-general da FAO para Desenvolvimento Econômico e Social, Máximo Torero, assegurou que, nesse contexto, grandes produtores como Brasil, Argentina e Uruguai podem aumentar suas vendas porque “o que não se exporta de um país se pode exportar de outro”.

No entanto, alertou que, com as restrições ao comércio, o perigo está na incerteza e no aumento da volatilidade dos preços, algo que é necessário “minimizar” para que os agricultores possam tomar boas decisões.

Apesar dos avanços na redução da pobreza durante as últimas décadas, muitos lares da região seguem sem poder custear os alimentos que necessitam.

A isto se soma o fato de que o número de pessoas com sobrepeso disparou na América Latina até afetar 60% da população, o que requer “políticas efetivas que combatam esse problema e possam multiplicar-se”, segundo Matthey.

A agricultura representava 4,7% da economia latino-americana entre 2015 e 2017, sendo uma grande região exportadora de soja, porco, milho, frango, pensos, açúcar, café, frutas e verduras.

Segundo o documento, há “grandes oportunidades de crescimento” na região para produzir frutas e verduras de alto valor, embora se deva proteger sua riqueza em recursos naturais reduzindo o desmatamento, a erosão do solo e as emissões de gases do efeito estufa.

O relatório indica ainda que nas últimas duas décadas se registrou uma concentração da terra em países como Paraguai, Argentina, Uruguai, Chile e Venezuela, enquanto esta se fragmentou em Brasil, Peru, México, Costa Rica, Nicarágua e El Salvador.

Fonte: Agencia EFE

10 de julho de 2019

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